educação

Roteiro de escolas inovadoras nos Estados Unidos

Onde estão as escolas mais inovadoras? Por onde começar a pesquisá-las? Quais critérios eleger para analisar seu grau de inovação?

Essas são as questões por detrás da iniciativa do blog Getting Smart de desenvolver um midset, um modo de pensar inovador em educação. Para isso, listaram 100 escolas inovadoras nos Estados Unidos e destacaram  um aspecto-chave de sua inovação: investigação, desenvolvimento do caráter, sala de aula invertida, design thinking como base do currículo e muitos outros critérios. A listagem subdividiu as escolas pelas faixas de ensino norte-americanas: elementary school  (Ensino Fundamental I, do 1o ao 5o anos), middle school (Ensino Fundamental II, do 6o ao 8o anos), High School (Ensino Médio, com 4 anos). Confira a listagem completa em: http://gettingsmart.com/2014/11/100-schools-worth-visiting/

 

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(FOTO: FLICKR/ CREATIVE COMMONS - TSEVIS)

Neurociência na educação?

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.britac.ac.uk/images/fellows/5888.jpg&imgrefurl=http://www.britac.ac.uk/fellowship/elections/index.cfm?member%3D6580&h=256&w=197&tbnid=oiexfsds_gkrPM:&zoom=1&tbnh=160&tbnw=123&usg=__AZGoOqY8nHhyx3LZb52P5VE7VhE=&docid=Z--5E_dS1jT-mM&itg=1&ved=0CH4Qyjc&ei=1Jc1VMHbEY3IgwSx3ICIBQ

Neurociência e educação: as bases da aprendizagem

Vale à pena conferir a palestra do neurocientista Stanislas Dehaene em 2012 no Collège de France sobre as bases da aprendizagem segundo a pesquisa neurocientífica atual aplicada à psicologia cognitiva. Segundo ele, o cérebro de um bebê recém nascido já é altamente estruturado e especializado para funções cognitivas e emocionais dada pela herança genética de primatas de nossa espécie. Dai, por exemplo, decorre a sua primeira grande teoria: a reciclagem neuronal. Segundo Dehaene, reciclamos neurônios originalmente formados (pela evolução) ao reconhecimento oral e visual (por exemplo comunicação com o grupo e identificação de presas e predadores, como ocorre entre os primatas) para desenvolver uma função da cultura: a leitura e a escrita. Dehaene mostra como recentes descobertas da neurociência da aprendizagem podem ajudar professores a terem mais consciência e profundidade em sua ação educativas. Por exemplo, na compreensão de quais são os conceitos e algorítimos intuitivos do cérebro humano e como são estabelecidas as redes neuronais no processo de aquisição formal do pensamento e da linguagem. Seus exemplos se aplicam inclusive a casos de alunos com dislexia ou discalculia. Dehaene afirma que todos os bebês já nascem com um conceito de espaço, de nome e mesmo de percepção estatística. (Re)conhecer estes conceitos intuitivos e trazê-los à consciência do estudante por meio de um ensino significativo, em que o erro é parte integrante do processo de aprender, é a missão do professor bem formado. Na palestra Dehaene explora quatro fatores ou pilares essenciais para qualquer aprendizagem formal:

1. Atenção: a) função de alerta; b) orientação (espacial ou mental); c) controle executivo;

2. Engajamento ativo no processo de aprender (o que inclui autoavaliação);

3. Retorno da aprendizagem (feedback e retornos positivos pelos quais o professor estimula o próprio ato de aprender);

4. Consolidação da aprendizagem: a) processos no sono; b) processos de automatização (do consciente ao inconsciente);

Confira!

obs: se alguém não souber o francês e pedir, eu resumo toda a palestra! 😉

Acesso a palestra via youtube:

Brilho nos olhos

A maior missão da escola: jamais apagar o brilho nos olhos dos estudantes.

Na escola, dos 3 aos 7 anos, as crianças exploram tudo, estão ávidas por aprender a pesquisar, cheias de curiosidade pelo mundo das letras, com frequentes perguntas que realmente mobilizam o pensamento científico. Então, a partir dos 11, 12, 13 anos essa disposição diminui. O corpo, as emoções, os sentidos são tomados pela explosão hormonal. E aquele brilho no olhar começa a se apagar. O pesquisador apaixonado pelo mundo descobre o tédio. Por que?

Na educação infantil, até por volta dos 7 anos, o brincar é a chave do aprender e do conviver com o outro. O tempo é usado de modo mais criativo, menos marcado. O espaço da sala de aula se reinventa a cada atividade. A música e a dança são frequentes. Os desenhos com as mãos, as colagens, as massinhas de modelar, são expressão natural, livres de modelos, de “certo e errado”. A “sujeira” é parte da alegria e da exploração do mundo. Criança feliz é criança saudável e bem desenvolvida. E elas frequentemente estão assim: felizes.

No ensino fundamental I, o tempo passa a ser mais rigidamente marcado. O tempo da aula é instaurado. O brincar se reduz ao recreio e a um ou outro momento de “entre atividades”. Os especialistas são mais frequentes, mas há professores polivalentes que desenvolvem facilmente projetos e pensam o processo de ensino-aprendizagem de forma mais integrada. Por exemplo, temas de Ciências, História e Geografia que motivam e reforçam a alfabetização e o uso social da matemática. Porém, surgem as provas. A avaliação vira aquela bruxa má que acaba com o livre e contínuo processo de aprender a aprender. A despeito da megeras, no entanto, as crianças são incríveis. Elas querem aprender. Elas estão disponíveis de corpo e de imaginação, apesar da forma escolar começar as espremer o corpo e a imaginação. Surge o certo e o errado. Muitas vezes – na maior parte das vezes – sem que as crianças saibam qual é o critério que diferencia o certo do errado. Elas não foram chamadas a pensar sobre isso.

No Ensino fundamental II: acabou a brincadeira. Começa a “escola de verdade”: nove disciplinas se revezam em tempos curtos, de 50, 45 minutos. As provas tornam-se mensais. Os projetos, episódicos, costumam cair de cima pra baixo, quase como uma confirmação lenta e demorada que de agora em diante, “tem que ser assim”, como o professor mandou. Os olhos começam a se apagar.

Ensino Médio? Provas semanais. Palavra chave: Vestibular.

Mas tem que ser assim? Não, mil vezes não. Em nenhuma faixa do ensino.

O lema da escola deve ser descobrir e expressar o sentido do aprender: a cada aprendizagem, o descobrir mais uma forma de humanizar-se, de tornar-se humano, de explorar mais um campo da cultura, das artes, dos esportes e das ciências que nos definem como sociedade, como humanidade.

As tecnologias, hoje, permitem trazer fontes de pesquisa e experimentação de todas as partes do mundo pra sala de aula. Mais que nunca, o professor deve ajudar a mediar a  transformação de informações em conhecimento. Como então ajudar cada aluno a construir significativamente seus conhecimentos?  Esse será o tema do próximo post.