O que tem mais impacto na aprendizagem? A pesquisa “Aprendizagem Visível”de John Hattie

John Hattie (2008; 2015; 2017) fez a maior revisão sistemática e metanálise em eficácia escolar dos estudos contemporâneos para identificar os fatores de maior impacto na aprendizagem dos estudantes. Sua pergunta era: “O que funciona melhor na educação?”

Por cerca de 15 anos, sua equipe no Laboratório de Aprendizagem Visível da Universidade de Auckland, Nova Zelândia, utilizou diferentes métodos estatísticos em bancos de dados consagrados da pesquisa acadêmica em busca de trabalhos de pesquisa empírica direta de larga escala (como o próprio Hattie desenvolveu na Nova Zelândia e na Austrália) ou baseados em revisão sistemática e metanálises de evidências de impacto de aprendizagem.

Hattie categorizou seis grandes fatores que contribuem para a aprendizagem: o aluno, a família, o contexto da escola, o currículo, o professor e as metodologias de ensino e aprendizagem. Identificados os fatores, Hattie desenvolveu uma maneira de classificar os “efeitos” de cada fator com seus “tamanhos de efeito”, tornando-os assim, comparáveis. Na pesquisa do “Visible Learning”, classificou 138 fatores relacionados aos resultados de aprendizagem de acordo com seus efeitos: muito positivos a muito negativos.

 

Clique aqui para conhecer o ranking online

Hattie descobriu que a curva dos tamanhos de efeito era uma gaussiana e que o tamanho médio do efeito de todos os fatores estudados era de 0,40. Hattie descobriu também, por meio de estudos longitudinais em grandes bancos de dados (como do PISA, do NAPLAN, do NELS) que o “efeito de aprendizagem” de um ano escolar também tinha um tamanho médio de efeito de 0,40. Sua conclusão: praticamente tudo tem impacto na aprendizagem. Portanto, importa identificar o que tem mais impacto visível para professores e alunos, ou seja, acima da média normal dada pelo 0,40. Portanto, Hattie passou a rankear os tamanhos de efeito e a avaliar o sucesso do impacto dos fatores em função deste “ponto de dobradiça”: aprofundar o olhar e a discussão para os fatores de tamanho de efeito maior que 0,40. Para isso, o foco da pesquisa “Visible learning” foi refinar metanalises, ou seja, o estudo de outros estudos:

“…identificar um recorte específico (tal como uma realização) e identificar uma influência naquele resultado (p.ex. tema de casa) e, em seguida, realizar buscas sistemáticas em vários bancos de dados: principais jornais e livros (ERIC, PsycINFO etc.); dissertações (p.ex. ProQuest), literatura cinza (materiais como conferências, submissões, relatórios técnicos e documentos de trabalhos não encontrados facilmente pelos canais normais). Essa busca envolve encontrar em contato com os autores para obter cópias dos seus trabalhos, checar referências nos artigos encontrados e ler amplamente para encontrar outras fontes. Para cada estudo, os tamanhos de efeito são calculados para as comparações adequadas. Em geral há dois tipos principais de tamanhos de efeito: comparações entre grupos (p.ex. comparando aqueles que fizeram o tema de casa com aqueles que não o fizeram) ou comparações ao longo do tempo (p.exe. resultados de base comparados com resultados após quatro meses). (HATTIE, 2017, p.9 )

 

Hattie criou um “barômetro” de influências para cada tema/fator analisado, identificando seu desvio padrão e a média desse efeito. Assim, pode passar a comparar diferentes fatores ou influências de acordo com seu “tamanho de efeito”. Por exemplo, sobre o “tema de casa”, normalmente, lição de casa, mas incluindo também outras variações de tarefas em casa, “quatro metanálises forneceram informações sobre o tamanho da amostra com 105.282 alunos. (..) o efeito médio foi de d= 0,29, com um erro padrão de 0,0027 (considerado baixo em relação a todas as metanálises” (HATTIE, 2017: p.12). Dentre todas as influências na aprendizagem estudadas, os “temas de casa” ficaram em 88a posição. Como comparar as influências de diferentes fatores?

“Como todos os resumos de literatura, cuidado se deve ter com a palavra de ordem ao interpretar os efeitos gerais. As nuances e detalhes de cada influencia são importantes e são discutidos em mais detalhes em Visible Learning (HATTIE, 2009). O ponto crítico geral é de 0,40 é sugerido como um ponto inicial de discussão. (HATTIE, 2017a, p.14).”

 

John Hattie atualizou sua lista de 138 efeitos para 150 efeitos em “Visible Learning for Teachers” (2011 versão original e 2017 edição brasileira) e, mais recentemente, em uma lista de 195 efeitos na aplicabilidade da aprendizagem visível para o ensino superior (2015 em versão original). Com pesquisa atualizada em ranking online (HATTIE 2017b), a pesquisa agora está baseada em quase 1200 metanálises. De acordo com o professor, “a história subjacente aos dados dificilmente mudou ao longo do tempo, embora alguns tamanhos de efeito foram atualizados e temos algumas novas entradas no topo, no meio, e no final da lista”.

Desde que lançou o estudo e o aprofundou em 2015, em “políticas da distração” e “o que melhor funciona?” (HATTIE, 2015), o ranking recebeu no seu topo ações de “expertise colaborativa”, ou seja, quando educadores (professores, gestores) trabalham conjuntamente para gerar uma “inteligência” ou “expertise” que nasce do coletivo, da colaboração. Para isso, os professores passam a se ver como auto avaliadores de seus impactos sobre a aprendizagem dos estudantes e passam a fomentar nos estudantes essa mesma atitude de auto formação e auto avaliação:

 

“O ensino e aprendizagem visíveis ocorrem (…) quando há uma prática deliberada destinada a obter o controle sobre o objetivo, quando há feedback fornecido e recebido e quando há pessoas ativas e apaixonadas envolvidas (professores, alunos, pares) participando no ato de aprendizagem. Trata-se de professores vendo aprendizagem através dos olhos dos alunos, e de alunos vendo o ensino como a chave para sua aprendizagem contínua. A característica notável dessas evidências é a de que os maiores efeitos sobre a aprendizagem dos alunos ocorrem quando os professores se tornam alunos da sua própria aprendizagem e quando os alunos se tornam seus próprios professores. Quantos os alunos se tornam seus próprios professores, exibem os atributos auto regulatórios que parecem ser mais desejáveis para aprendizes (automonitoramento, autoavaliação, autoanálise e autoensino. Portanto, o que faz a diferença é o ensino e a aprendizagem visíveis para professores e alunos.” Uma premissa chave é a de que a visão do professor sobre seu papel é crítica. (…) o que os professores fazem faz a diferença – mas o que mais importa é ter uma atitude adequada em relação ao impacto que eles apresentam. uma atitude adequada combinada a ações adequadas trabalham juntas para alcançar um efeito positivo na aprendizagem.” (HATTIE, 2017 a, p.14).

HATTIE, John. Aprendizagem visível para professores. São Paulo: Penso, 2017a.

____________. Visible learning: interactive visualization. Available at: https://visible- learning.org/nvd3/visualize/hattie-ranking-interactive-2009-2011-2015.html>. Último acesso em 30/11/2017b.

 

___________. What work best in education: The politics of collaborative expertise. Always learning. Pearson, 2015.

___________. Visible learning for teachers: Maximizing impact on learning.

Routledge, 2012.

 

___________. Visible learning: A synthesis of over 800 meta-analyses relating to achievement. Routledge, 2008.

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