Brilho nos olhos

A maior missão da escola: jamais apagar o brilho nos olhos dos estudantes.

Na escola, dos 3 aos 7 anos, as crianças exploram tudo, estão ávidas por aprender a pesquisar, cheias de curiosidade pelo mundo das letras, com frequentes perguntas que realmente mobilizam o pensamento científico. Então, a partir dos 11, 12, 13 anos essa disposição diminui. O corpo, as emoções, os sentidos são tomados pela explosão hormonal. E aquele brilho no olhar começa a se apagar. O pesquisador apaixonado pelo mundo descobre o tédio. Por que?

Na educação infantil, até por volta dos 7 anos, o brincar é a chave do aprender e do conviver com o outro. O tempo é usado de modo mais criativo, menos marcado. O espaço da sala de aula se reinventa a cada atividade. A música e a dança são frequentes. Os desenhos com as mãos, as colagens, as massinhas de modelar, são expressão natural, livres de modelos, de “certo e errado”. A “sujeira” é parte da alegria e da exploração do mundo. Criança feliz é criança saudável e bem desenvolvida. E elas frequentemente estão assim: felizes.

No ensino fundamental I, o tempo passa a ser mais rigidamente marcado. O tempo da aula é instaurado. O brincar se reduz ao recreio e a um ou outro momento de “entre atividades”. Os especialistas são mais frequentes, mas há professores polivalentes que desenvolvem facilmente projetos e pensam o processo de ensino-aprendizagem de forma mais integrada. Por exemplo, temas de Ciências, História e Geografia que motivam e reforçam a alfabetização e o uso social da matemática. Porém, surgem as provas. A avaliação vira aquela bruxa má que acaba com o livre e contínuo processo de aprender a aprender. A despeito da megeras, no entanto, as crianças são incríveis. Elas querem aprender. Elas estão disponíveis de corpo e de imaginação, apesar da forma escolar começar as espremer o corpo e a imaginação. Surge o certo e o errado. Muitas vezes – na maior parte das vezes – sem que as crianças saibam qual é o critério que diferencia o certo do errado. Elas não foram chamadas a pensar sobre isso.

No Ensino fundamental II: acabou a brincadeira. Começa a “escola de verdade”: nove disciplinas se revezam em tempos curtos, de 50, 45 minutos. As provas tornam-se mensais. Os projetos, episódicos, costumam cair de cima pra baixo, quase como uma confirmação lenta e demorada que de agora em diante, “tem que ser assim”, como o professor mandou. Os olhos começam a se apagar.

Ensino Médio? Provas semanais. Palavra chave: Vestibular.

Mas tem que ser assim? Não, mil vezes não. Em nenhuma faixa do ensino.

O lema da escola deve ser descobrir e expressar o sentido do aprender: a cada aprendizagem, o descobrir mais uma forma de humanizar-se, de tornar-se humano, de explorar mais um campo da cultura, das artes, dos esportes e das ciências que nos definem como sociedade, como humanidade.

As tecnologias, hoje, permitem trazer fontes de pesquisa e experimentação de todas as partes do mundo pra sala de aula. Mais que nunca, o professor deve ajudar a mediar a  transformação de informações em conhecimento. Como então ajudar cada aluno a construir significativamente seus conhecimentos?  Esse será o tema do próximo post.

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